Provadores Celíacos

Perguntas Frequentes

Apesar de uma em cada trezentas pessoas a poder desenvolver, a doença celíaca não é conhecida, nem facilmente identificável.

Nesse âmbito, criamos esta área de perguntas mais comuns, quer sobre a doença celíaca, quer sobre o que significa ser provador e as nossas garantias de segurança.

A doença

O que é ser celíaco?
É uma doença do intestino delgado, em que há graus variáveis de atrofia das vilosidades da mucosa intestinal, o que prejudica a absorção dos nutrientes, vitaminas, sais minerais e água. As vilosidades são dobras da camada interna do intestino delgado que servem para aumentar a superfície de absorção e alojar células com funções especializadas na digestão.
Qual a relação com o glúten?
O glúten é uma proteína presente no trigo, cevada, malte, aveia e centeio (sendo em maior proporção no trigo). Alimentos que contenham esses componentes devem ser eliminados da dieta dos celíacos, pois é ele que causa os danos no intestino, mencionados anteriormente.
Como se desenvolve a doença?
É uma doença hereditária, mas ainda não se sabe ao certo a sua forma de transmissão. Desenvolve-se em cerca de 10% dos familiares de primeiro grau do doente. Dados mostram que na Europa, num grupo de 300 pessoas, uma pode desenvolver a doença.
A doença pode permanecer latente ou com sintomas mínimos e ocasionais por longos períodos. É interessante que em muitos casos os sintomas identificados na infância podem desaparecer na adolescência, retornando na idade adulta.
Quais são os sintomas?
Os sintomas clássicos da doença celíaca incluem diarreia, perda de peso (ou falta de crescimento nas crianças) e fadiga, mas mesmo sendo a doença celíaca uma doença principlamente dos intestinos, os sintomas relacionados a estes podem ser limitados ou até mesmo ausentes. Além disso, diversos sintomas associados em todos os sistemas do corpo humano já foram descritos: distensão abdominal por cólicas, gases, náuseas e vómitos; anemia (deficiência na absorção de ferro e vitamina B12); alteração do ciclo menstrual; diminuição da fertilidade; osteoporose. Alguns pacientes são diagnosticados com sintomas relacionados à absorção diminuída de nutrientes ou com vários outros sintomas que, embora estatisticamente relacionados, não possuem clara relação com o mau funcionamento dos intestinos. Dada esta vasta gama de possíveis sintomas, a trilogia clássica de sintomas não é mais uma determinante para o diagnóstico.
As crianças entre os 9 e 24 meses tendem a apresentar sintomas intestinais e problemas de crescimento logo após a primeira exposição a produtos que contenham glúten. Crianças mais velhas podem ter mais problemas relacionados à má absorção e problemas psicossociais, enquanto aos adultos geralmente têm problemas de má absorção. Muitos adultos com a doença menos grave possuem somente fadiga ou anemia.
Como é feito o diagnóstico?
Quando o histórico clínico é favorável, o diagnóstico pode ser feito através de uma dieta isenta de glúten por aproximadamente três meses, se os sintomas desaparecerem a doença está diagnosticada. Em outros casos, pode ser necessária a realização de exames de sangue, urina, fezes e de imagem.
Diversos exames podem ser realizados para auxiliar o diagnóstico. O nível dos sintomas pode determinar quais os testes que devem ser realizados, mas os exames perdem a utilidade se o paciente já estiver com uma dieta livre de glúten. As lesões intestinais começam a curar poucas semanas após o glúten ser removido da dieta e os níveis de anticorpos diminuem ao longo dos meses. Para aqueles pacientes que já iniciaram por si próprios uma dieta livre de glúten, pode ser necessário realizar uma nova investigação, ingerindo 10g de glúten (quatro fatias de pão) por dia, 2 a 6 semanas antes de repetir os exames investigatórios. Os pacientes que apresentam sintomas severos (como diarreia) mais precocemente podem ser examinados antes do período de 2 a 6 semanas.

Exames de sangue

A serologia através de um exame de sangue é útil, tanto no diagnóstico de doença celíaca (alta sensibilidade de cerca de 98%, ou seja, o exame não detecta 2 em cada 100 casos) quanto na sua exclusão (alta especificidade de mais de 95%, ou seja, um resultado positivo no exame é muito propenso a confirmar uma doença celíaca do que outra condição). Devido ás maiores implicações do diagnóstico da doença celíaca, recomenda-se aos profissionais que após um resultado positivo no exame de sangue ainda seja realizada uma endoscopia complementar. Um resultado negativo no exame ainda pode fazer com que seja necessária uma biopsia, no caso da suspeita ser muito grande. A biopsia abrangeria os 2% restantes de casos não diagnosticados, e ofereceria explicações alternativas para os sintomas. Dessa maneira, a endoscopia com biopsia ainda é considerada o padrão ouro no diagnóstico da doença celíaca.
Há exames sorológicos que auxiliam o diagnóstico, como o teste antiendomísio (IgA-EMA), que tem uma especificidade e sensibilidade próxima de 100%, e o teste ELISA que pode detectar a presença de anticorpos anti-transglutaminase (tTG), mas não são suficientes para diagnosticar a doença por si. Nas pessoas com esta doença, a ingestão de glúten provoca danos à mucosa do intestino delgado, dificultando a digestão.

Endoscopia

O diagnóstico é realizado através duma biopsia da mucosa intestinal na sequência de uma endoscopia digestiva, e/ou da resposta à dieta isenta de glúten.


Outros exames:

Outros exames que podem ajudar no diagnóstico são exames de sangue para uma contagem sanguínea completa e medição dos níveis de electrólitos, cálcio, função renal, enzimas do fígado, vitamina B12 e ácido fólico. Os exames de coagulação (tempo de protrombina e tempo de tromboplastina parcial activada) podem ser úteis para identificar deficiência de vitamina K, o que torna os pacientes mais susceptíveis a sofrer hemorragias. Estes exames devem ser repetidos durante o acompanhamento da doença, assim como medição dos níveis de anticorpos anti-tTG titres.

Como é a fisiopatologia?

Acredita-se que a doença celíaca seja causada pela activação da resposta imune celular (células-T) e humoral (células-B) em resposta à exposição ao glúten em pessoa geneticamente susceptível. Apesar de ser frequentemente chamada de alergia ao glúten, a doença celíaca não é causada por um processo alérgico, mas autoimune. A lesão característica da doença celíaca é a atrofia da mucosa do intestino delgado, levando ao prejuízo na absorção dos nutrientes, vitaminas, sais minerais e água.
As mudanças patológicas clássicas do intestino delgado são categorizadas através da "classificação Marsh":

- Estágio Marsh 0: mucosa normal
- Estágio Marsh 1: número aumentado de linfócitos intra-epiteliais, geralmente mais de 20 a cada 100 enterócitos
- Estágio Marsh 2: proliferação das criptas de Lieberkuhn
- Estágio Marsh 3: atrofia completa ou parcial das vilosidades
- Estágio Marsh 4: hipoplasia da arquitectura do intestino delgado

As mudanças geralmente melhoram ou são revertidas após o glúten ser removido na dieta, devendo ser realizada diversas biopsias mensais (4 a 6) após o início da exclusão do glúten.
Existe tratamento?
Actualmente, o único tratamento efectivo é uma dieta estritamente sem glúten, por toda a vida. Noventa por cento dos pacientes que são tratados com a dieta livre de glúten apresentam melhora dos sintomas em 2 semanas. A aderência estrita à dieta permite que os intestinos se curem, com a regressão completa da lesão intestinal e resolução de todos os sintomas na maior parte dos casos. Dependendo de quão cedo a dieta começar, ela também pode eliminar o risco aumentado de osteoporose e de cancro intestinal. O acompanhamento de um nutricionista é geralmente requisitado para garantir que o paciente esteja consciente de quais comidas possuem glúten, quais as comidas seguras e como ter uma dieta balanceada apesar das suas limitações. Em muitos países estão disponíveis produtos livres de glúten sob prescrição médica e podem ser reembolsados pelos planos de saúde. Cada vez mais os fabricantes estão a produzir produtos livres de glúten, alguns dos quais possuem sabor e aparência quase indistinguíveis do seu original.

A dieta pode ser incómoda. Enquanto as crianças pequenas podem obedecer aos seus pais, os adolescentes podem desejar esconder o seu problema ou revoltar-se contra as restrições da dieta, podendo ter uma recaída. Muitos produtos contêm traços de glúten mesmo que sejam aparentemente livres de trigo. Os produtos livres de glúten são geralmente mais caros e difíceis de encontrar do que os alimentos que contêm trigo.

Mesmo com a dieta, a qualidade de vida relacionada à saúde pode diminuir nas pessoas com doença celíaca. Alguns possuem sintomas digestivos persistentes ou dermatites herpetiformes, úlceras na boca, osteoporose e fracturas. Podem estar presentes sintomas sugestivos de síndrome do intestino irritável, e existe uma taxa aumentada de ansiedade, fadiga, dispepsia e dor músculo-esquelética.
Uma pequena minoria dos pacientes sofrem de doença refractária, o que significa que eles não melhoram com uma dieta livre de glúten. Isto pode acontecer porque a doença está presente há tanto tempo que os intestinos já não são capazes de se curarem sozinhos com a dieta, ou porque o paciente não está a aderir à dieta, ou porque o paciente está a consumir comidas que são contaminadas com glúten.

Ser provador

É seguro participar?
Evidentemente que teremos um protocolo que garante que todos os alimentos em causa não possuem esta substância proteica, assegurando que ninguém desenvolve uma reacção imunológica. Todos os lotes em estudos serão individualmente analisados antes de cada projecto. Garantiremos análises em laboratório acreditado, por lote de amostras em estudo.
Porquê participar?
As pessoas que estiverem interessadas em associar-se ao nosso laboratório neste projecto podem vir a melhorar o paladar, aspecto e odor dos alimentos que habitualmente consomem. Sem a ajuda dos doentes celíacos não conseguiremos dar resposta no sentido do melhoramento de produtos.
Como participar?
Os provadores serão premiados com ofertas em produtos pela sua colaboração. Os interessados podem-se inscrever por email, nas nossas instalações ou por telefone sem qualquer compromisso, podendo abandonar o projecto quando desejarem. As amostras e questionários serão sempre direccionados para a habitação do consumidor sem qualquer encargo.